Povos do Campo, das Águas e das Florestas apresentam propostas para a 1ª CNVS

Garantir que a Vigilância em Saúde avalie o impacto de grandes obras em territórios rurais é a principal proposta que os participantes da 1ª Conferência Livre de Vigilância em Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas irão defender. Representantes dos povos do Campo, das Águas e Florestas estarão presentes na 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde (CNVS), que será realizada em Brasília, de 27 de fevereiro a 2 de março.

“Nós temos que repensar a vigilância dentro de uma perspectiva ambiental, que considere o impacto desses grandes empreendimentos na saúde das populações dos territórios. Em função do modelo de desenvolvimento adotado no Brasil, eles vêm causando todo tipo de adoecimentos”, afirma a coordenadora geral da Conferência Livre, Gislei Siqueira Knierim, membro do Coletivo Nacional de Saúde do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).

Segundo ela, a vigilância em saúde precisa prever o impacto dos grandes empreendimentos na saúde das populações atingidas. Ações de prevenção podem evitar desastres ambientais como o que ocorreu em Mariana (MG), por exemplo. “A avaliação do impacto na saúde das populações não é feita antes do início das obras. E como essas populações costumam ser invisíveis para os gestores públicos, depois há a dificuldade até de notificar o adoecimento”, denuncia.

Gislei destacou também a preocupação dos participantes com questões de saúde pública. O combate ao alto índice de contaminação da água por agrotóxico verificado no país é uma das proposições. “Nós temos que repensar a vigilância em saúde dentro de uma perspectiva ambiental, que considere os povos hoje invisíveis nos seus territórios, para que ela seja fonte de informação para todo o sistema de saúde”, disse.

A 1ª Conferência Livre de Vigilância em Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas foi realizado em Brasília, nos dias 9 e 10/10. De acordo com Gislei, reuniu uma média de 80 participantes por dia, vinculados a 19 movimentos sociais, além de centros de pesquisa e institutos de saúde. As propostas encaminhadas no evento serão defendidas na 1ª CNVS pela representante eleita pelos participantes, Marizelha Carlos Lopes, do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bahia.

Práticas e saberes em Saúde

Uma outra contribuição da 1ª Conferência Livre de Vigilância em Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas foi o lançamento do livro “Campo, Floresta e Águas - práticas e saberes em saúde", produzido pelo Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas – Teia de Saberes e Práticas (Obteia). O livro apresenta de forma sistematizada o conhecimento acumulado por 69 autores, vinculados ao SUS, aos movimentos sociais e à academia.  

Ascom CNS

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